Tecnologia é custo ou investimento? O que a gente ouviu no 1º Bate-Papo S.I.
Setenta pessoas, duas horas de conversa e três ideias do 1º Bate-Papo S.I. da FAFRAM, incluindo uma frase incômoda sobre como as empresas veem tecnologia.
Setenta pessoas numa sala de aula numa quarta-feira à noite. Só isso já diz alguma coisa sobre o assunto.
Foi assim o 1º Bate-Papo S.I., dia 23 de setembro, na sala 11 do Campus Centro da FAFRAM, com o tema "Tecnologia que Empreende". Rodolfo Rodrigues e Francisco Maggio ficaram pouco mais de duas horas respondendo pergunta de estudante sobre carreira, mercado e o que a sala de aula não ensina.
A Nexus Jr. estava lá. Três coisas ficaram.
Não dá pra aprender tudo. E nem precisa
A pergunta era como se manter atualizado numa área que muda toda semana. O Rodolfo respondeu sem rodeio:
"A atualização de conhecimento está diretamente atrelada ao problema pelo qual o seu cliente está passando."
O Francisco chegou no mesmo lugar por outro caminho, dizendo que não é preciso saber de tudo.
Se você tá na faculdade, isso tira um peso das costas. Aquela sensação de estar sempre atrasado, de ter que aprender a linguagem nova, o framework novo e a ferramenta nova ao mesmo tempo, costuma produzir gente que sabe um pouco de tudo e não termina nada. Os dois disseram, cada um do seu jeito, que é o problema na sua frente que decide o que estudar depois. Sem problema pra resolver, estudar vira colecionar certificado.
"30% é conhecimento, 70% é networking"
A frase é do Francisco e foi a que mais rodou a sala.
E não era papo de slide motivacional. Os dois se conheceram trabalhando juntos, seguiram caminhos diferentes e hoje são amigos. Dava pra ver isso na hora: eles passaram metade da noite tirando sarro um do outro, do jeito que só quem trabalhou junto por anos consegue. Aquela conversa só aconteceu porque uma relação de trabalho virou relação de verdade e aguentou a troca de emprego dos dois.
Não é sobre juntar contato no LinkedIn. É sobre uma parte chata do mercado: oportunidade boa quase nunca vira anúncio de vaga. Ela chega por quem já trabalhou com você e sabe como você entrega.
O ataque que virou produto
O melhor momento da noite veio de uma pergunta sobre o que uma empresa média do interior deveria estar resolvendo com tecnologia e não resolve.
Em vez de teoria, veio caso real. Na época em que os dois trabalhavam juntos numa indústria da região, rolou uma onda de ransomware, aquele ataque em que o criminoso criptografa os dados da empresa e cobra resgate pra devolver. Em vez de comprar uma solução cara, eles montaram um jeito simples e barato de fazer backup e recuperar servidor. O método acabou aproveitado por um fornecedor e deu um retorno bem acima do que eles esperavam.
A lição não é técnica. A solução nasceu de um problema que eles viveram na pele, não de uma tecnologia que eles queriam usar. Quase toda boa ideia começa assim: alguém com o problema na mão, não alguém com a ferramenta na mão.
A frase que a gente trouxe pra casa
Em algum momento saiu a frase que explica por que tanta empresa da região empaca: elas ainda olham tecnologia como custo, e não como investimento.
Quem vê como custo compra o mais barato, adia a troca, deixa o backup pra depois e só corre atrás quando quebra. Quem vê como investimento pergunta quanto aquilo devolve: hora economizada, erro que não acontece, cliente que não vai embora.
A diferença entre essas duas empresas não é tamanho nem orçamento. É a pergunta que cada uma faz antes de decidir. No caso do ransomware, foi a diferença entre continuar trabalhando e pagar resgate pra ter os próprios dados de volta.
O que a gente levou de lá
A gente é uma empresa júnior começando, formada por estudantes de Sistemas de Informação da FAFRAM. Ouvir dois profissionais com anos de estrada dizendo que o aprendizado vem do problema do cliente, que relacionamento pesa mais que currículo e que tecnologia é investimento serve pra uma coisa bem prática: é conversa que a faculdade sozinha não dá, e é o jeito que a gente quer trabalhar em cada projeto.
Obrigado ao Rodolfo e ao Francisco pelo tempo e pela sinceridade, e à FAFRAM pela realização.
Se você estuda na FAFRAM e quer viver isso de dentro, as inscrições do nosso processo seletivo estão abertas.