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Máquinas param, pessoas resolvem: o que a gente levou da 1ª noite da SESINFO

Mais de mil ativos, a IA no Judiciário e uma regra que vale pra fábrica e pra software: sem gestão, a tecnologia só acelera o problema.

A Vittia tem mais de mil ativos em operação. Numa operação desse tamanho, imprevisto não é exceção: alguma coisa vai dar errado hoje, e a única dúvida é o estrago que isso vai fazer. Essa é a realidade de Paulo Carvalho, coordenador corporativo de manutenção da empresa, que abriu a primeira noite da XXIII SESINFO, na segunda-feira (5). A regra que ele trouxe é simples:

“Planejar é impedir que toda ocorrência destrua o sistema de gestão.”

Paulo Carvalho, Vittia

Na tecnologia, a máquina parada tem outro nome. É o servidor que cai de madrugada, a infraestrutura que cede no dia em que o acesso triplica, a sprint que se perde inteira porque um erro em produção puxou a equipe toda pra apagar incêndio. Quando isso acontece toda semana, o problema não é azar. É uma equipe que não construiu resiliência.

“Máquinas param. Pessoas resolvem”, disse o Paulo. Na fábrica e no software, máquinas e servidores vão falhar. O trabalho das pessoas não é correr pra apagar o incêndio no braço toda vez. É projetar o sistema pra que ele se recupere sozinho: um servidor reserva que assume quando o principal cai, um sistema que cresce sozinho quando o acesso dobra.

IA não conserta falta de base

É aqui que gestão e inteligência artificial se encontram. Hoje dá pra pedir a uma IA um código, uma tela ou até um contrato em segundos, e a resposta chega com cara de pronta. Só que a IA acelera o que já existe. Se tem planejamento e base técnica, ela multiplica a entrega. Se não tem, ela só faz a bagunça crescer mais rápido.

Com um LLM, quem não entende de arquitetura consegue montar em cinco minutos o sistema frágil que antes levaria cinco dias. A IA acelera a produção, mas expõe a falta de base de quem não sabe o que está fazendo.

A máquina filtra. Quem decide?

Às 21h, os professores Iedo, Luiz Antônio, Bruno e Ricardo Jordão conversaram sobre inteligência artificial, e o professor Bruno, coordenador do curso de Direito, trouxe o exemplo mais forte da noite. O STJ usa IA desde 2018, pra dar agilidade aos processos e evitar acúmulo. No STF, o sistema Victor faz desde 2017 a triagem de recursos, pra identificar temas de repercussão geral.

A regra oficial é que a máquina filtra e o humano decide. Mas quem controla o filtro já tomou boa parte da decisão. E a pressão faz o resto: com milhares de processos na fila e o cansaço acumulado, aceitar a sugestão da máquina sem conferir vira o caminho mais curto. É o viés de automação, dito sem rodeio: a pessoa concorda, assina e usa a IA como escudo. Se der errado, a culpa foi do sistema.

Em software é igual.

Sem segurança, não existe inovação

Na roda, apareceu a ideia de que ética e regulamentação freiam o avanço da IA. Aqui a gente discorda.

LGPD, limites de uso dos dados e normas éticas não são burocracia no caminho do projeto. Em engenharia, isso tem nome: requisito não funcional, da mesma família de desempenho e disponibilidade. Não diz o que o sistema faz, diz como ele precisa se comportar. Sem segurança desde a arquitetura, não existe inovação. Existe vazamento de dados esperando pra acontecer.

O próprio Paulo deixou a frase que fecha essa discussão: “Nunca normalize uma condição insegura.”

O que a gente procura

Na Nexus Jr., a gente entende que a IA amplifica o que você já é. Se você é cuidadoso, ela multiplica o cuidado.

Por isso, no processo seletivo, a gente procura pessoas que assumem a responsabilidade pelo que constroem. Não exigimos que você saiba todas as linguagens.

Obrigado ao Paulo Carvalho e à Vittia, aos professores Iedo, Luiz Antônio, Bruno e Ricardo Jordão pelo bate-papo.

As inscrições do processo seletivo estão abertas. Se essa é a sua régua, é aqui.

Tem um projeto em mente?

Conte sua ideia. A gente ajuda a dar o primeiro passo.